Wednesday, 4 April 2007



ELOCUÇÃO

Diz de ti, expressa o que divisas nesse teu enganoso oco e nu, imaginário
Compõe um esboço, deixa que todos experimentem o que a teu espírito acarreta
Expõe os teus sonhos os teus pesadelos, pois sei que são muitos mais do que sonhos
Profere a tua verdade a tua existência, os teus anseios as tuas querenças
Lastimarei eu o teu silêncio? Jamais
Lamentarei eu o teu olhar, esvaído e magoado? Nunca
Pois tu comigo não exprimes, como unicamente ages e o que, fazes é excessivamente severo e intransigente
Arriscava agora que sei tudo de ti, pronunciar:
Desamarra, solta a tua alma, exime-te a ti próprio
Cede o teu voar, grita mas grita muito alto, bem alto para que alguém algures te atenda
Porque esse teu clamor seria o clamor da tua independência
Existes inundado de uma desolação vulgar
Essência essa que por isso não te deixa ser franco
Vives submergido e com ânsia de retaliação, mas esse catapulto, de desforra jamais alimentará o que de facto careces, a ti ou a outro qualquer indivíduo á face da terra
Lançaria aqui de novo a pergunta
Revela-me aqui quem de facto és tu?
Arriscava também dizer-te que te comprovaria que te compreenderia
Mas não o faço porque ascendendo até aqui aonde já me atraquei
Já também te avistei e te conheci mas também nem sei como já te sobrevivi
O teu silêncio somente a ti te atordoará
Todo o teu ser unicamente orará contigo próprio
Mas quem sabe um dia tu consigas ver tudo aquilo que nunca viste até agora
Ali sim tu dirás, falarás e serás um Homem livre
Livre de poder falar, dizer de si…





CRISTINA PENA
17/10/2006

1 comment:

frlsp said...

Será que estavas a referir-te a alguem que eu conheco?
Adorei muito se estavas a pensar em mim quando escreves-tes isto, obrigada...
Beijinhos e continua.
BOA...BOA...MUITO BOA...